Não existe amor em SP, nem em BH, nem em Bogotá. Não tem
existido amor nem aqui nem lá. Sim, Criolo, os bares estão cheios de almas tão
vazias que nem sei por onde começar. A confusão, o ato confundir surge cada vez
mais frequente em meio à multidão. Eu, claro, faço parte disso sem sombra de
dúvidas. Torna-se cada vez mais difícil lidar com o limite uma vez que o limite
não é cobrado de você. O livre arbítrio tomou um rumo diferente, as emoções não
são mais contidas e a sensação de liberdade te faz confundir. Confunde que o
querer não é simplesmente querer, no meio dele existe o poder. Confunde que o
poder não é simplesmente poder, no meio dele existe o por quê. Confunde que o
por quê não é simplesmente o por quê, no meio dele existe o dever. E assim as
pessoas se esquecem temporariamente do amor, do afeto sincero. Perdida nessa
loucura já não sei onde procurar o certo e correr do errado, uma vez que não sei
mais distinguir o certo do errado, uma vez que não existe certo ou errado, uma
vez que existe interpretação, né?! Mas e ai? Também não sei lidar com a
interpretação, pois é uma pra mim e uma pra você. Tudo certo? Não. Tudo errado.
A confusão reina na minha cabeça, na minha vida, no meu ser. Eu indago se o
amor seria a solução, talvez sim talvez não, pois com ele também vem a
confusão, mas talvez pra mim, só pra mim, seria a solução. E então o Frejat diz
que procura um amor que ainda não encontrou, diferente de todos que amou, onde
nos olhos desse amor quer descobrir uma razão para viver e as feridas dessa
vida esquecer. Ok! Isso não seria muita dependência? Depender de terceiros para
ser o que você precisa ser? Depender de terceiros para ter a vida que você quer
ter? Acho que o erro começa por ai. O melhor seria um amor com a função de
acrescentar, completar. Tudo começa errado quando a necessidade de um amor
surge com a função de resolver os problemas, suprir a necessidade, amenizar a
dor. Assim a dependência surge desde o primeiro momento e o que era pra ser
algo confortável, amável, amigável, gostoso e livre, passa a ser necessidade,
cobrança, desconforto, insanidade e possessividade. Definitivamente não é o que
eu busco, muito menos o que eu espero, porém até mesmo eu, sabendo e tendo consciência
de toda essa teoria ainda me arrisco a confundir. Então é isso! A confusão, em
seu vasto sentido, reside em mim e na maioria das pessoas, talvez imperceptível,
talvez inconsciente, talvez cada vez mais frequente.