segunda-feira, 7 de julho de 2014
Partida
O silêncio do café da manhã, quase insuportável não fosse o barulho das torradas
sendo mordidas, nos dizia tanta coisa, nos dizíamos muitas coisas, caladas, entre
olhares.
Sentada eu via, em meio a toda aquela bagunça que por incrível que pareça era
minha, o lugar do inicio, meio e fim, que presenciou amor, ódio, solidão, confidências,
bebedeiras, cantorias, alegrias.
O primeiro lugar que pude chamar de MEU, que me acolheu mais do que poderia
imaginar, que trouxe a liberdade, a independência, a nova experiência.
Ficava agora para trás, com novas pessoas, novas vidas, novas histórias.
Ali sonhei, planejei, idealizei, amei, chorei, frustrei, desacreditei, pensei.
Eterno enquanto durou. Deu certo.
As malas prontas, o sonho desfeito, o desejo rompido, e a sensação de que tudo que
podia foi vivido.
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