sábado, 13 de dezembro de 2014

A que(m) será que se destina?


Escrevo em contradição.
Quero escrever tanta coisa, mas sinto ser tudo em vão. Sinto a palavra perder o valor. Não consigo nem organizar corretamente os pontos e vírgulas, se é prosa ou poesia, ou sei lá o que.
Se eu fechar os olhos sinto a confusão, o emaranhado que parece esmagar tudo por dentro, é coisa demais. Definitivamente, é coisa demais. E a vontade sempre é uma só: parar. Parar enquanto tudo corre dentro de mim. Parar e assistir a loucura de fora pra dentro. Olhei várias vezes, durante vários dias pra essa simulação de folha de papel em branco, queria escrever, mas só olhava, congelada.
Dizem que é crise existencial (eu questionei mesmo minha existência), que Nietzsche sofreu com isso, que é normal quando se sai da alienação e entra pra vida dos questionamentos, que é loucura, que é sair da zona de conforto, que é ser humano. Há também quem banalize ou simplifique. As vezes isso me irrita muito. Aliás muita coisa anda me irritando muito. Calada. As vezes sim as vezes não.
Sinceramente, não sei classificar. E nem preciso. Não sei explicar. E nem preciso. Mas quero, sigo tentando. Sei que é grande e complexo. Sei do que ando sentindo e sofrendo, assim como sei do que ando aprendendo e vivendo. Sei das trocas. Sei das dores. Minhas.
Mas ando travada, sim. Bloqueada. Há muito o que pensar antes de falar um “A”, ou mexer um músculo, ou direcionar um olhar. Meu dedo que a pouco disparava sem parar, já faz dias que deixou de trabalhar. Ainda bem.
Embora eu ainda ache essa escrita um lixo, aliviou um pouco. Só ainda não sei dizer o motivo de tornar isso público. Vai ver é pra alimentar o ego. O mais provável é que seja pra fazer-me entender minimamente a algumas pessoas que eu julgo necessárias. Principalmente eu.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

NÃO/SOU

Não sou Foucault
Não sou Lacan, nem Laplanche, nem Freud
Não sou de saber muito de política
Não sei muito de teoria queer nem de Judith Butler
Não sou uma ativista fervorosa
Não aprendi tudo que você aprendeu
Não sei inglês nem francês
Não vi isso ou aquilo
Não conheço todas as músicas do Caetano
Não li um décimo dos livros que você leu
Não sou muito de ler
Não digo “ain” nem “massa”
Não estudo psicologia, nem social nem clínica
Não conheço esse filme
Não entendo tudo que você diz

Eu sou de músicas, várias, de quase todos os tipos, mesmo que não escute muito
Eu sou de cantar, tocar
Eu sou de escrever, desenhar
Eu sou de fotografar, observar
Eu sou de Exú, de Yemanjá
Eu sou de aprender, de conversar, de falar
Eu sou de ouvir
Eu sou de mudar
Eu sou de pessoas, independente de “raça”, cor, orientação sexual, altura, classse, etc
Eu sou de ajudar
Eu sou de amar
Eu sou de dançar
Eu sou de beijar, de namorar, de acarinhar, de agradar, de surpreender
Eu sou romântica brega broxante
Eu sou de brincar, de rir, de fazer palhaçada
Eu sou de sonhar, de imaginar
Eu sou de jogar bola, de andar de Kart
Eu sou de beber, de fumar
Eu sou de pensar
Eu sou de mim
Eu sou de você
Eu sou de nós
Eu sou assim
Eu sou Eu

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

MSQSM

Encolhe toda
Grão de feijão
Posição fetal
Aperta, aperta mais

Por dentro o peito
Não cabe mais
Vazio que enche
Grito/berro que não sai

Lembra mais
Sente que dói
Agarra/arranha
Puxa/bate

Chora, chora mais
Se escora
Parede não cai
Não pode/não vai

Vai, volta
Vem cá, solta

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fora

Nunca soube jogar
Essa coisa de ter jeito pra amar
Regra pra falar, hora certa pra declarar
Nunca soube jogar

Ora, cada máscara que se tem que colocar
Se esconde no mais profundo interior do eu
Proibi-se demonstrar
E chega acreditar
Esse sou eu
Nessa forma de jogar

Jogar? Fora.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Pára!

Esse masoquismo
Essa repetição
Esse vai e volta
Sapateando no meu coração
Sambando no peito essa aflição

Esse desencontro com meu eu
Essa traição de mim mesma
Fazendo para, mostrando para
Escrevendo para, melhorando para

Pára!

Se olha fragmentada em reflexos
Desconstruída
Reflexões, desconstrói ilusões
Que gosto tem você
Que gosto eu em você

Pára!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O outro lado

De repente parecia que a formiga que caminhava sobre a mesa tinha mais importância que eu.
O “a” que saia da minha boca era mudo, diferente do mesmo “a” que saia da boca de qualquer ser falante da terra. Esse soava como a canção mais linda e interessante que já se ouviu.
O primeiro que levantasse a mão tinha prioridade sobre a minha que se via levantada a dias.
De repente eu era muda e invisível.

Magicamente eu voltava a existir, dentro de quatro paredes, longe de tudo e de todos.
Interessante, engraçada, tinha voz e era amada.
E bastava um aparecer pro encanto se desfazer.

Onde começou? Onde terminou?
Que diferença agora isso faz?
Se perdeu em algum momento, em meio ao tempo.
Tempo que bastava um colchão, um olhar, uma canção, pro mundo parar.

domingo, 14 de setembro de 2014

[des]construção

Uma reconstrução repentina,
não houve muito tempo para elaborar,
não houve muito o que pensar,
não houve muito o que esperar.
Me bate a primeira sensação de reconhecimento do fato.
Um misto de êxtase e adoração com um certo medo do novo.
Saudade de algumas coisas, alguns cheiros, alguns cantos, alguns amores.
Paixão por novos cheiros, novos cantos, e futuros amores.
Balanceia-se assim.

Uma pausa.


Quatro horas e meia.


[des]construiu-se o assunto aqui escrito.

E assim vai a minha vida,
"navegável a barquinhos de papel".

domingo, 17 de agosto de 2014

Cegueira

As brechas e as frestas, o olhar além
O que pode ser visto depende de quem
A projeção do ideal por de trás do que há
O medo de desconhecer o que virá

Por entre seus dedos eu via a luz
Que me cegava a visão da dor
Por um segundo escondeu meu temor
Não mais que um

Então a mão enlaçada se soltou
A vida real, sem mais
Engole o choro, encara o novo
A porta já se abriu

Não quero rima, não o fiz acima
Construindo e desconstruindo
Por entre seus dedos
Chorando e sorrindo

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Seja-te

O foco era outro, e vi, em setembro passado estava lá escrevendo sobre o que agora diria de novo. 
O texto era “confusão”, quase um ano depois me vejo nele outra vez. Repetição ou o que?
Senti a vergonha queimar na cara, já ia escrever as mesmas coisas um ano depois. Quanto vai levar pra aprender? Quanto gasta amadurecer?
Andando em círculos, rodando em bares, caindo em males. Troca de roupa, se arruma bem, coloca a máscara feliz.
É mais fácil do que aceitar, me aceitar.  É mais triste do que amar, não me amar.
É o medo de se olhar no espelho, de chorar até soluçar, de se encarar? ENCARA, CHORA, SOFRE, SENTE.
Mas se cuida, tá frio, toma um sol.
Sol –te. Seja-te.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Partida


O silêncio do café da manhã, quase insuportável não fosse o barulho das torradas
sendo mordidas, nos dizia tanta coisa, nos dizíamos muitas coisas, caladas, entre
olhares.
Sentada eu via, em meio a toda aquela bagunça que por incrível que pareça era
minha, o lugar do inicio, meio e fim, que presenciou amor, ódio, solidão, confidências,
bebedeiras, cantorias, alegrias.
O primeiro lugar que pude chamar de MEU, que me acolheu mais do que poderia
imaginar, que trouxe a liberdade, a independência, a nova experiência.
Ficava agora para trás, com novas pessoas, novas vidas, novas histórias.
Ali sonhei, planejei, idealizei, amei, chorei, frustrei, desacreditei, pensei.
Eterno enquanto durou. Deu certo.
As malas prontas, o sonho desfeito, o desejo rompido, e a sensação de que tudo que
podia foi vivido.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Movimento

Foi preciso quebrar a rotina para perceber a necessidade do movimento.
Sair da zona de conforto foi importante para entender que não existe essa zona, ou se cria onde quer que esteja.
O novo, o desconhecido, o improvisado, o desenraizado, sempre causam receio e medo até que se experimente deles, e num instante deixam de ser o estranho, o esquisito, o inusitado.
Pela janela eu enxerguei a luz da solução, ou talvez do desapego, ou quem sabe apenas a coragem de sair do lugar. Eu queria me jogar de cabeça na sensação de liberdade que me chamava, mas havia uma grade e um mensageiro dos ventos na minha frente.
Continuei ali parada, porém longe, bem longe dali. Minha alma descolou, sinalizou o mensageiro e escapou entre as grades.
Eu era livre, nada me prendia nem naquele ou em qualquer lugar.

Então voltei para mais um trago, soltei, pensei. 
O cavalo me olhava atento, a cortina gritava laranja, meu suco esquentou e meu cigarro apagou.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O amanhã

Alguns já diziam que todo carnaval tem seu fim, que o pra sempre sempre acaba, que tristeza não tem fim, felicidade sim... E por ai vai.
Estamos tão habituados em ouvir, porém tão despreparados para sentir.
"Desilusão, desilusão, danço eu, dança você na dança da solidão."
A verdade é que existe um ciclo:
Conhece, apaixona, namora, ama, termina, sofre, desapega, respira, conhece, apaixona, namora... até encontrar alguém que o quebre, ou que mude algumas etapas.
O diferencial nesses ciclos são as experiências, as vivências, as maneiras de se relacionar, os aprendizados, a intensidade, o nível de felicidade...
Mas a dor, essa dor... Seja por um dia, uma semana, um mês, um ano, é dor.
Acredito ser ela maior ainda quando essa tal variação, na maioria dos aspectos, seja positiva.
Em contrapartida, acredito ser menor por ter sido tão bom, por ter vivido isso um dia, por ter amado, por ter sido amada, tomada por felicidade, por irradiar alegria, por gozar do prazer, da excitação, do tesão, da emoção... por ter tentado.
Mas ainda assim, é dor. Mas está tudo certo, isso é apenas a parte "sofre" do ciclo.
As vezes é triste entender ou melhorar algumas coisas só depois que tudo se acaba, porém é satisfatório saber que ao menos isso me fará melhor.
"O futuro a Deus pertence!" Clichê. Mas de certa forma é isso, " O que será o amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer? O meu destino será como Deus quiser."
Com força, foco e fé!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O masoquismo em mim

Esses minutos parada, alienada do mundo,
pela janela mato em movimento, por dentro som e sentimento.
Saudade de que nem sei, de quem nem sei, só sei.
E vi que até do que não tenho saudade senti.
Uma dor gostosa de gostar do que não se gosta.
Sofrer em silêncio, algo que nem tem sofrimento, sofrimento que nem tem algo.
Prazeroso momento, dor e desalento.