quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Berro


E quando a histeria faz com que tudo não caiba dentro
E nada vá pra fora
Implodo?
Exponho-me a vícios
Inútil
É mais, h(á) mais
Injusto
Tão justo que não cabe
Pontos de vista diversos
Anexos
Emaranhados complexos
Instaura a dor
Exala o rancor
Poros
Ódio de amor

sábado, 3 de janeiro de 2015


Numa imensidão
uns podem voar, outros podem nadar
A mim resta caminhar
Resta caminho
Andar
              sem nadar, sem voar

Resta [re]inventar
Construção

             nadar, voar

sábado, 13 de dezembro de 2014

A que(m) será que se destina?


Escrevo em contradição.
Quero escrever tanta coisa, mas sinto ser tudo em vão. Sinto a palavra perder o valor. Não consigo nem organizar corretamente os pontos e vírgulas, se é prosa ou poesia, ou sei lá o que.
Se eu fechar os olhos sinto a confusão, o emaranhado que parece esmagar tudo por dentro, é coisa demais. Definitivamente, é coisa demais. E a vontade sempre é uma só: parar. Parar enquanto tudo corre dentro de mim. Parar e assistir a loucura de fora pra dentro. Olhei várias vezes, durante vários dias pra essa simulação de folha de papel em branco, queria escrever, mas só olhava, congelada.
Dizem que é crise existencial (eu questionei mesmo minha existência), que Nietzsche sofreu com isso, que é normal quando se sai da alienação e entra pra vida dos questionamentos, que é loucura, que é sair da zona de conforto, que é ser humano. Há também quem banalize ou simplifique. As vezes isso me irrita muito. Aliás muita coisa anda me irritando muito. Calada. As vezes sim as vezes não.
Sinceramente, não sei classificar. E nem preciso. Não sei explicar. E nem preciso. Mas quero, sigo tentando. Sei que é grande e complexo. Sei do que ando sentindo e sofrendo, assim como sei do que ando aprendendo e vivendo. Sei das trocas. Sei das dores. Minhas.
Mas ando travada, sim. Bloqueada. Há muito o que pensar antes de falar um “A”, ou mexer um músculo, ou direcionar um olhar. Meu dedo que a pouco disparava sem parar, já faz dias que deixou de trabalhar. Ainda bem.
Embora eu ainda ache essa escrita um lixo, aliviou um pouco. Só ainda não sei dizer o motivo de tornar isso público. Vai ver é pra alimentar o ego. O mais provável é que seja pra fazer-me entender minimamente a algumas pessoas que eu julgo necessárias. Principalmente eu.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

NÃO/SOU

Não sou Foucault
Não sou Lacan, nem Laplanche, nem Freud
Não sou de saber muito de política
Não sei muito de teoria queer nem de Judith Butler
Não sou uma ativista fervorosa
Não aprendi tudo que você aprendeu
Não sei inglês nem francês
Não vi isso ou aquilo
Não conheço todas as músicas do Caetano
Não li um décimo dos livros que você leu
Não sou muito de ler
Não digo “ain” nem “massa”
Não estudo psicologia, nem social nem clínica
Não conheço esse filme
Não entendo tudo que você diz

Eu sou de músicas, várias, de quase todos os tipos, mesmo que não escute muito
Eu sou de cantar, tocar
Eu sou de escrever, desenhar
Eu sou de fotografar, observar
Eu sou de Exú, de Yemanjá
Eu sou de aprender, de conversar, de falar
Eu sou de ouvir
Eu sou de mudar
Eu sou de pessoas, independente de “raça”, cor, orientação sexual, altura, classse, etc
Eu sou de ajudar
Eu sou de amar
Eu sou de dançar
Eu sou de beijar, de namorar, de acarinhar, de agradar, de surpreender
Eu sou romântica brega broxante
Eu sou de brincar, de rir, de fazer palhaçada
Eu sou de sonhar, de imaginar
Eu sou de jogar bola, de andar de Kart
Eu sou de beber, de fumar
Eu sou de pensar
Eu sou de mim
Eu sou de você
Eu sou de nós
Eu sou assim
Eu sou Eu

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

MSQSM

Encolhe toda
Grão de feijão
Posição fetal
Aperta, aperta mais

Por dentro o peito
Não cabe mais
Vazio que enche
Grito/berro que não sai

Lembra mais
Sente que dói
Agarra/arranha
Puxa/bate

Chora, chora mais
Se escora
Parede não cai
Não pode/não vai

Vai, volta
Vem cá, solta

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fora

Nunca soube jogar
Essa coisa de ter jeito pra amar
Regra pra falar, hora certa pra declarar
Nunca soube jogar

Ora, cada máscara que se tem que colocar
Se esconde no mais profundo interior do eu
Proibi-se demonstrar
E chega acreditar
Esse sou eu
Nessa forma de jogar

Jogar? Fora.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Pára!

Esse masoquismo
Essa repetição
Esse vai e volta
Sapateando no meu coração
Sambando no peito essa aflição

Esse desencontro com meu eu
Essa traição de mim mesma
Fazendo para, mostrando para
Escrevendo para, melhorando para

Pára!

Se olha fragmentada em reflexos
Desconstruída
Reflexões, desconstrói ilusões
Que gosto tem você
Que gosto eu em você

Pára!