sexta-feira, 3 de abril de 2015

Enganounão


Talvez eu tenha me enganado
ou não
Talvez tenham me enganado
ou não
Talvez seja um grande engano
ou não
Talvez sejamos um engano
ou não

sábado, 28 de março de 2015

terça-feira, 17 de março de 2015

Ans i[e]dade


Um ponto cético
Uma certa idade
Um peso crítico
Ansiedade

Passado permanente
Desespero futuro
Ausência de presente
Cego, obscuro

Corpo que trava
Idéia que se esvai
Mente escrava
Dorso que cai

sábado, 7 de março de 2015

Inquietação


Dorme que já é tempo

Respeite o corpo alerta
E na respiração ofegante
Que de alma se desperta
Afague o sopro de vento cortante

Esquece no tempo a lembrança
Desfaz em ato venenoso
Do peito farto de esperança
Esse tardio afeto odioso

Dorme que já é tempo

E o que há de novo
Esfera que enjaula a presa
Nem sempre vale o gozo
Dissecando em vagareza

Cautela no meio de encanto
Andor leve de quase parar
Dessas doces mãos de acalanto
Nunca se sabe o que esperar

Dorme que já é tempo


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Berro


E quando a histeria faz com que tudo não caiba dentro
E nada vá pra fora
Implodo?
Exponho-me a vícios
Inútil
É mais, h(á) mais
Injusto
Tão justo que não cabe
Pontos de vista diversos
Anexos
Emaranhados complexos
Instaura a dor
Exala o rancor
Poros
Ódio de amor

sábado, 3 de janeiro de 2015


Numa imensidão
uns podem voar, outros podem nadar
A mim resta caminhar
Resta caminho
Andar
              sem nadar, sem voar

Resta [re]inventar
Construção

             nadar, voar

sábado, 13 de dezembro de 2014

A que(m) será que se destina?


Escrevo em contradição.
Quero escrever tanta coisa, mas sinto ser tudo em vão. Sinto a palavra perder o valor. Não consigo nem organizar corretamente os pontos e vírgulas, se é prosa ou poesia, ou sei lá o que.
Se eu fechar os olhos sinto a confusão, o emaranhado que parece esmagar tudo por dentro, é coisa demais. Definitivamente, é coisa demais. E a vontade sempre é uma só: parar. Parar enquanto tudo corre dentro de mim. Parar e assistir a loucura de fora pra dentro. Olhei várias vezes, durante vários dias pra essa simulação de folha de papel em branco, queria escrever, mas só olhava, congelada.
Dizem que é crise existencial (eu questionei mesmo minha existência), que Nietzsche sofreu com isso, que é normal quando se sai da alienação e entra pra vida dos questionamentos, que é loucura, que é sair da zona de conforto, que é ser humano. Há também quem banalize ou simplifique. As vezes isso me irrita muito. Aliás muita coisa anda me irritando muito. Calada. As vezes sim as vezes não.
Sinceramente, não sei classificar. E nem preciso. Não sei explicar. E nem preciso. Mas quero, sigo tentando. Sei que é grande e complexo. Sei do que ando sentindo e sofrendo, assim como sei do que ando aprendendo e vivendo. Sei das trocas. Sei das dores. Minhas.
Mas ando travada, sim. Bloqueada. Há muito o que pensar antes de falar um “A”, ou mexer um músculo, ou direcionar um olhar. Meu dedo que a pouco disparava sem parar, já faz dias que deixou de trabalhar. Ainda bem.
Embora eu ainda ache essa escrita um lixo, aliviou um pouco. Só ainda não sei dizer o motivo de tornar isso público. Vai ver é pra alimentar o ego. O mais provável é que seja pra fazer-me entender minimamente a algumas pessoas que eu julgo necessárias. Principalmente eu.