quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Sem norte

A minha impaciência tem nome
O deslocamento contínuo do meu corpo
Os dedos enfumaçados
E o resto todo

Teu medo se transformou em meu
No mistério da porta entreaberta
No desejo confuso do sim
Do não

Essas meias palavras ditas
Na contradição dos dias
Frases inteiras
Abismo à vista

E o desejo descomunal
Em perder-me no agora
De forma transcendental
Troco passos
Sento em bares
Espero, anseio a chegada
E tremo abalada

Teu gosto ficou
Impregnou
O som rouco da sua voz
E o jeito louco do seu olhar

Onde é que fui parar?
Como é que faço pra voltar?
Trancada pelos teus dentes fortes
Me entrego
Perdida
Sem norte