Dorme que já é tempo
Respeite o corpo alerta
E na respiração ofegante
Que de alma se desperta
Afague o sopro de vento cortante
Esquece no tempo a lembrança
Desfaz em ato venenoso
Do peito farto de esperança
Esse tardio afeto odioso
Dorme que já é tempo
E o que há de novo
Esfera que enjaula a presa
Nem sempre vale o gozo
Dissecando em vagareza
Cautela no meio de encanto
Andor leve de quase parar
Dessas doces mãos de acalanto
Nunca se sabe o que esperar
Dorme que já é tempo