Escrevo em contradição.
Quero escrever tanta coisa, mas sinto ser tudo em vão. Sinto
a palavra perder o valor. Não consigo nem organizar corretamente os pontos e
vírgulas, se é prosa ou poesia, ou sei lá o que.
Se eu fechar os olhos sinto a confusão, o emaranhado que
parece esmagar tudo por dentro, é coisa demais. Definitivamente, é coisa
demais. E a vontade sempre é uma só: parar.
Parar enquanto tudo corre dentro de mim. Parar e assistir a loucura de fora pra
dentro. Olhei várias vezes, durante vários dias pra essa simulação de folha
de papel em branco, queria escrever, mas só olhava, congelada.
Dizem que é crise existencial (eu questionei mesmo minha
existência), que Nietzsche sofreu com isso, que é normal quando se sai da
alienação e entra pra vida dos questionamentos, que é loucura, que é sair da
zona de conforto, que é ser humano. Há também quem banalize ou simplifique. As vezes isso me
irrita muito. Aliás muita coisa anda me irritando muito. Calada. As vezes sim
as vezes não.
Sinceramente, não sei classificar. E nem preciso. Não sei explicar. E nem preciso. Mas quero, sigo tentando. Sei que é grande e complexo. Sei do que ando
sentindo e sofrendo, assim como sei do que ando aprendendo e vivendo. Sei das
trocas. Sei das dores. Minhas.
Mas ando travada, sim. Bloqueada. Há muito o que pensar
antes de falar um “A”, ou mexer um músculo, ou direcionar um olhar. Meu dedo que a pouco disparava sem parar, já faz dias que deixou de trabalhar. Ainda bem.
Embora eu ainda ache essa escrita um lixo,
aliviou um pouco. Só ainda não sei dizer o motivo de tornar isso público. Vai ver é
pra alimentar o ego. O mais provável é que seja pra fazer-me entender minimamente a algumas
pessoas que eu julgo necessárias. Principalmente eu.
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