De repente parecia que a formiga que caminhava sobre a mesa
tinha mais importância que eu.
O “a” que saia da minha boca era mudo, diferente do mesmo “a”
que saia da boca de qualquer ser falante da terra. Esse soava como a canção mais
linda e interessante que já se ouviu.
O primeiro que levantasse a mão tinha prioridade sobre a
minha que se via levantada a dias.
De repente eu era muda e invisível.
Magicamente eu voltava a existir, dentro de quatro paredes,
longe de tudo e de todos.
Interessante, engraçada, tinha voz e era amada.
E bastava um aparecer pro encanto se desfazer.
Onde começou? Onde terminou?
Que diferença agora isso faz?
Se perdeu em algum momento, em meio ao tempo.
Tempo que bastava um colchão, um olhar, uma canção, pro
mundo parar.

