quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O outro lado

De repente parecia que a formiga que caminhava sobre a mesa tinha mais importância que eu.
O “a” que saia da minha boca era mudo, diferente do mesmo “a” que saia da boca de qualquer ser falante da terra. Esse soava como a canção mais linda e interessante que já se ouviu.
O primeiro que levantasse a mão tinha prioridade sobre a minha que se via levantada a dias.
De repente eu era muda e invisível.

Magicamente eu voltava a existir, dentro de quatro paredes, longe de tudo e de todos.
Interessante, engraçada, tinha voz e era amada.
E bastava um aparecer pro encanto se desfazer.

Onde começou? Onde terminou?
Que diferença agora isso faz?
Se perdeu em algum momento, em meio ao tempo.
Tempo que bastava um colchão, um olhar, uma canção, pro mundo parar.

domingo, 14 de setembro de 2014

[des]construção

Uma reconstrução repentina,
não houve muito tempo para elaborar,
não houve muito o que pensar,
não houve muito o que esperar.
Me bate a primeira sensação de reconhecimento do fato.
Um misto de êxtase e adoração com um certo medo do novo.
Saudade de algumas coisas, alguns cheiros, alguns cantos, alguns amores.
Paixão por novos cheiros, novos cantos, e futuros amores.
Balanceia-se assim.

Uma pausa.


Quatro horas e meia.


[des]construiu-se o assunto aqui escrito.

E assim vai a minha vida,
"navegável a barquinhos de papel".