terça-feira, 24 de junho de 2014

Movimento

Foi preciso quebrar a rotina para perceber a necessidade do movimento.
Sair da zona de conforto foi importante para entender que não existe essa zona, ou se cria onde quer que esteja.
O novo, o desconhecido, o improvisado, o desenraizado, sempre causam receio e medo até que se experimente deles, e num instante deixam de ser o estranho, o esquisito, o inusitado.
Pela janela eu enxerguei a luz da solução, ou talvez do desapego, ou quem sabe apenas a coragem de sair do lugar. Eu queria me jogar de cabeça na sensação de liberdade que me chamava, mas havia uma grade e um mensageiro dos ventos na minha frente.
Continuei ali parada, porém longe, bem longe dali. Minha alma descolou, sinalizou o mensageiro e escapou entre as grades.
Eu era livre, nada me prendia nem naquele ou em qualquer lugar.

Então voltei para mais um trago, soltei, pensei. 
O cavalo me olhava atento, a cortina gritava laranja, meu suco esquentou e meu cigarro apagou.