Foi preciso quebrar a rotina para perceber a necessidade do
movimento.
Sair da zona de conforto foi importante para entender que não existe
essa zona, ou se cria onde quer que esteja.
O novo, o desconhecido, o improvisado, o desenraizado,
sempre causam receio e medo até que se experimente deles, e num instante deixam
de ser o estranho, o esquisito, o inusitado.
Pela janela eu enxerguei a luz da solução, ou talvez do
desapego, ou quem sabe apenas a coragem de sair do lugar. Eu queria me jogar de
cabeça na sensação de liberdade que me chamava, mas havia uma grade e um
mensageiro dos ventos na minha frente.
Continuei ali parada, porém longe, bem longe dali. Minha alma
descolou, sinalizou o mensageiro e escapou entre as grades.
Eu era livre, nada
me prendia nem naquele ou em qualquer lugar.
Então voltei para mais um trago, soltei, pensei.
O cavalo me
olhava atento, a cortina gritava laranja, meu suco esquentou e meu cigarro
apagou.
